05 July, 2007

Valsavaranche - Aosta!

Cliquem no álbum:
Aosta
e preparem-se para verem fotografias Espectaculares e vídeos de.... vacas! :-))))
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Eu e os animais de quintas.....há qualquer coisa, há uma ligação!
Quando somos pequenitos, os adultos perguntam-nos: "O que queres ser quando fores grande?". Agora que somos grandes, a pergunta devera' ser: "O que queres ser quando fores velho?"
Eu já sei! depois de reformada quero ter uma quinta com animais e dedicar-me 'a agricultura biologica, envelhecer perto da Natureza, com uma cadeira de baloico no alpendre ..... e de preferencia sem artrites! :-))
hmmmm.... que sonho bom!!
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Vamos ao que interessa! Estão preparados para este longo testamento?
Esta foi sem dúvida uma das minhas viagens que mais peripécias teve, só de me lembrar delas, estou a aqui com um enorme sorriso nos lábios e a desejar conseguir passar para palavras aquilo que vivi e vi.

LOCALIZAÇÃO: Itália, a norte de Turim, cidade de Aosta, Valsavarenche (Parque Nacional Gran Paradiso).
Sentem-se confortavelmente porque o texto é longoooooo!! Afinal foram 13 dias!
E tudo começou assim:
Decorria o final do mês de Abril deste ano quando eu decidi concorrer a esta Summer School (SS) sobre convecção nos oceanos e na atmosfera. O panfleto informativo estava afixado há várias semanas no hall do 7º andar, mesmo ao pé do chá e do café e era impossível não o ver. Todas as vezes que ia buscar chá parava em frente dele e lia as informações escritas. Fiquei logo de início fascinada com os “lecturers” convidados. Um dia decidi investigar mais informações, naveguei via Internet até ao website da SS e apercebi-me que o deadline era no início de Maio e o local lindíssimo. Concorri, sabendo sempre de antemão que, e dado que havia pessoas muitos importante no campo – vindos do MIT, por exemplo - , o nosso CV não é tão preenchido como o dos americanos. Mas, eu acho que vale a pena sempre tentar. Para grande surpresa minha e enorme contentamento fui aceite J! E lá fui eu, de 18 a 28 de Junho, rumo ao norte de Itália, Turim, para as montanhas!
Um viagem cheia de peripécias boas e menos boas, que aqui estou para partilhar com vcs ;-)

A viagem, Seattle – Paris – Turim, pela Air France, no dia 16 de Junho, decorreu sem incidentes de maior. Mas tenho que confessar que gostei muito dos aviões de longo curso. Eram AirBus, o número não me lembro. Tinham uma particularidade SUPER interessante: 2 cameras exteriores: uma por baixo do avião e outra mesmo na parte da frente do avião. Assim que me sentei no lugar, comecei logo a explorar o sistema de entretenimento da AF para viagens deste tipo e dou com as cameras. A que estava ligada era a da parte da frente. Podíamos ver tudo o que se passava nessa área. O avião ainda estava estacionado. O mais engraçado é a pessoa responsável pelos sinais luminosos, aqueles que levantam os braços e põe-se a dar aos braços com os sinais luminosos vermelhos na mão (estão a ver?), andava de um lado para o outro em frente do avião, depois punha mão na anca, tirava mão da anca, depois resolveu-se sentar e encostou-se a dormir nas escadas. Foi hilariante durante alguns minutos vê-lo! Duvido que ele soubesse que estava a ser visto. Mais tarde pôs-se a postos, todo direito, com os sinais na mão (até parecia que estava em sentido!), quando o avião começou a movimentar-se. Um senhor, tipicamente americano, dos seus 60 e tal anos, sentado atrás de mim na diagonal, observava também atento o tal rapaz. Quando ele se sentou a dormitar, deu uma enorme e sonora gargalhada e eu olhei para ele e perguntei-lhe se ele também estava a ver a camera. Ele ainda perdido de riso respondeu que sim e depois lá conseguiu dizer: “Is not funny? The guy is sleeping!”
É muito giro ter as cameras nos aviões. Depois deste episódio, pudemos todos assitir ao levantar voo (take off) e à aterragem. Durante a viagem, a camera situada por baixo do avião era a única que estava ligada e pudemos observar tudo o que se passava em baixo, as nuvens, a superfície, tudo!
Nesta viagem não fiquei à janela, mas tive sorte, porque fiquei na fila só com 3 lugares e o meu era o que dava para o corredor (“aisle”), o que deu para me levantar n vezes, sem ter que incomodar ninguém. O meu companheiro de viagem entrou mudo e saiu calado, era um homem dos seus 40 anos, casado e francês. Num voo de 10 horas nunca se levantou para ir ao WC.
Tivemos uma selecção variada de filmes para ver e eu comecei por escolher o Zodiac de David Fincher e arrependi-me logo passado alguns minutos porque o filme foi filmado num ambiente sombrio e suspeito, o que me incomodou e começa um assassinato brutal à facada o que me deixou muito tensa! Heheheheh que péssima escolha para quem estava a tentar relaxar! Mudei logo para outro filme e apanhei um filme francês Molièrè, muito engraçado. Mal consegui conter as gargalhadas, vale a pena.
A comida da AF era bastante boa, comparada com a da Continental e a da BA.
O único problema do vôo foi que pouco tempo depois de termos levantado vôo e de terem servido o jantar, mandaram fechar as janelas todas, desligaram as luzes do avião dizendo que era hora de dormir. Eu olhei para o relógio e este dizia-me 20h30 em Seattle. Querem que eu vá dormir às 8h30 da noite?!?!?!? Escusado será dizer que não dormi. Dificilmente consigo dormir nos aviões, a posição em que vamos é, para mim, demasiado incómoda para dormir.
Aterrámos em Paris sem problemas no dia seguinte, Domingo 17 de Junho. O aeroporto PCG estava apinhado de gente e em obras. Andei um bom bocado à procura do meu novo terminal de embarque, tal era a confusão de informações nos mapas e placares. Tive que apanhar um autocarro que demorou um bom bocado a levar-nos para o local certo, parecia que andámos às voltinhas no aeroporto.
A viagem para Turim decorreu sem incidentes, apanhámos turbulência e chovia em Turim quando aterrámos. Tinha 4h de espera no aeroporto até que o autocarro da SS os viesse buscar.
Depois de andar de um lado para o outro com o meu portátil e a minha mala mais pequena (consegui meter roupa para 2 semanas numa mala minúscula!!! Heheheh isto é um feito histórico !!), resolvi sentar-me em frente de uma rapariga indiana, a Swati, que lia o Código DaVinci, em inglês. Passado um bom bocado, eu já estava muito cansada, ela resolveu meter conversa comigo e adivinhem lá o que aconteceu? Ela também estava ali para a SS! Começamos a conversar, ficámos o resto do tempo a conversar sobre o nosso trabalho, a vida fora das nossas terras, as diferenças, etc.Vcs sabem como são as mulheres, não é? Há sempre conversa! :-)
Depois foram chegando mais, lembro-me do Florian, alemão mas a trabalhar na Noruega que se sentou mesmo à nossa frente, e cada vez que falava o sangue afluía à cabeça e ficava todo corado, os 2 rapazes do Brasil, um da África do Sul, um checo mas nos EUA a trabalhar, e depois já muito perto da hora marcada, várias pessoas foram aparecendo e formando um grupo grande.
Já era quase de noite quando chegámos ao local. Eu fui a dormir quase o tempo todo. Lembro-me vagamente de ver cascatas e as montanhas.
As pessoas estavam divididas por 3 hotéis de região, aquele em que fiquei era o último e o mais alto, estava a 2000m de altitude. A diária com p.a. era de 35 €/noite.
Uma coincidência desgraçada acontece quando o dono do hotel que nos esperava começa a dizer quem fica com quem. Eu pedi um quarto duplo. Apesar de ser arriscado, é a melhor forma de conhecer novas pessoas. Surpresa! Eu fiquei com Swati! Ela dava pulinhos de alegria, visivelmente contente, e só dizia que tinha sido muito bom por que tinha gostado de mim logo ao princípio. Ela também me pareceu bastante acessível, e fiquei aliviada com a selecção que fizeram.
Era o único hotel onde falavam qualquer coisita de inglês.
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Ah!! Lembrei-me agora de um facto importante. Enquanto estava à espera no aeroporto e ainda não falava com a S., pude observar a movimentação de pessoas que lá ia. Bem, só vos digo que os italianos são uns safados!! Os portugueses gostam de olhar, mas os italianos são muito piores, os nossos homens nem aos calcanhares deles chegam! Assisti homens a comeram as mulheres com os olhos, mas as italianas….. caramba!! Também se prestam a isso. Não todas, claro! Há excepções e eu na SS conheci pessoal italiano do melhor! Mas aquelas que vi…. Era com cada trapo de roupa que mais valia não terem nada! :-))
[ Desculpem esta saída mais dura sobre a roupa que usamos, mas nós as mulheres temos uma tendência grande para perder o respeito por nós próprias muito facilmente, é preciso algum decoro e não sermos exageradas. ]
E à saída, quando nos dirigíamos para o parque onde o autocarro estava estacionado, num dos lados do aeroporto, pudemos ver pessoal mais velho, todos italianos, a jogar cartas em cima de caixotes, em pequenos grupos!! Mafiosos!!! Hehehehehe
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O pequeno almoço do hotel era o melhor deles todos!! Ai…. Nem vos conto a maravilha que era entrar naquela sala e olhar a mesa do breakfast! Havia sempre um bolo caseiro, de chocolate, de fruta ou tartes, vários tipos de pão e uns croissants com doce, que geralmente eram de pêssego, eram os meus preferidos. Eram uma DELÍCIA!! Era a minha refeição preferida!
Os almoços foram sempre no hotel em frente à escola, chamava-se Parco Nazionale, e os jantares foram divididos entre os 3 hotéis: Parco nazionale, Grivola (e meio do caminho) e Gran Paradiso (onde eu fiquei). As melhores refeições eram no meu, sem sombra de dúvida e a opinião foi unânime! Ao fim de 2 semanas já não podia ver massa. Quando cheguei a Seattle andei a fazer uma desintoxicação há base de legumes. Só nos últimos dias é que começaram a colocar legumes nas refeições, antes eram só massa, que funcionava como prato de entrada mas que nós comíamos como prato principal! Via-se mesmo que não eramos de lá! Hehehehe e depois o prato principal. Comi presunto! Sabem lá as saudades que eu tinha de um presuntinho! Que Maravilha! :-) E depois os pratos principais.O mais espectacular é que a comunidade de vegetarianos era enorme e os 3 hotéis providenciaram sempre refeições vegetarianas para aqueles que o eram. Ninguém teve problemas de alimentação e o apoio foi enorme e sempre constante.
A Escola: A parte humana foi Espectacular!! Éramos muitos e todos fizemos um esforço grande para sermos calorosos e simpáticos uns com os outros. E resultou muito bem! Havia gente de todo o lado, mas de todo o lado mesmo!!! Da Austrália (para as meninas: ai Jesus!!! Eu nem sabia que os australianos eram tão jeitosos! hehehe), da Nova Zelândia, do Japão, da Índia, dos states, do Brasil e da Europa. Conheci e fiz amigos lá. Fazíamos pequenos grupos e íamos juntos para os percursos de montanha (hiking). Os Professores eram todos muito engraçados.
Tivemos o Charles D., matemático, da Universidade de Michigan, que andou louco para demonstrar equações, mas como as apresentações eram em ppt, estava difícil. Até que teve uma ideia luminosa! Assim de surpresa, colocou 2 cadeiras em frente à mesa dos portáteis, numa colocou o retroprojector e na outra sentou em frente dele. Com várias canetas para acetato, ligou o retroprojector e ia demonstrando as equações, escrevendo-as à mão. O pessoal escangalhou-se todo a rir com o aparato, mas a ideia foi genial! O Charles chamou-lhes a tecnologia século XX versus século XXI.
Gostei muito do Marshall, do MIT, da oceanografia. Um quarentão, mas muito British e ainda com sotaque apesar de estar na América há largos anos. Tinha sempre umas deixas muito engraçadas e fiquei encantada com a pronúncia dele! Hehehehe A melhor das deixas foi: “Ohhh…. Parameterization is a dirty business!”.
A parte oceânica esteve Espectacular! As apresentações muito dinâmicas, claras e até direito tivemos a uma experiência sobre a formação da Boundary layer oceânica. A parte atmosférica não esteve no seu melhor, houveram alguns professores que não puderam estar presentes, logo alguns assuntos ficaram por falar. Mas os que estiveram esforçaram-se bastante e conseguiram passar a mensagem e tocar nos pontos críticos da convecção atmosférica.Tínhamos aulas das 9h às 19h, com 4h para almoço! Devido ao jet lag, que muitos sofreram e conseguia-se descobrir rapidamente quem eram pois sentiam-se cansados nas horas mais impróprias, nunca adormeci ou senti sono nas aulas, o que me surpreendeu imenso, pois de manhã estou sempre cheia de sono. Mas deveria ser do entusiasmo, pois só mesmo no final da SS é que me comecei a sentir mais dificuldade em acordar de manhã. :-)
O Local: LINDOOOOO!! Coloquem esta região no mapa: Valsavarenche – Pont (onde ficava o meu hotel), na região de Turim, Norte de Itália. Mesmo entre as montanhas – os Alpes, muito natural, cheio de animais típicos da região mais as vacas e as cabras, que andavam bem perto de nós. As montanhas tinham vários percursos com vários graus de dificuldade. Muitas cascatas e um ribeiro com caudal bem forte ao longo da estrada que ligava os 3 hotéis. Existe um parque de campismo mesmo ao pé do hotel Gran Paradiso com uma pequena mercearia onde se vende quase tudo.
Eu cheguei a fazer vários percursos curtos e um grande, no fds que tivémos livre.
Os pequenos percursos incluíram as cascatas mais próximas à escola e mesmo assim tive que dar à perna (hehehehhe), dêem uma espreitadela nas fotos. O grande percurso incluiu um dos lados da montanha mesmo por trás do hotel G.P.
Nesse fds estava programada uma hike de mais de 9h, mas eu não estava em forma para aguentar tamanho percurso e o grupo depois dividiu-se. Eu e mais 3: o Florian, a Khalia e o Peter, depois do hotel fornecer almoço volante (2 sandes, 2 peças de fruta e água – para todos os que iam caminhar! Impressionante!), fomos no Domingo fazer um percurso que levou umas 6h no total. A subir custou um pouquinho, mas nada que não se pudesse fazer, mas a descer já as pernas tremiam bastante e tivemos zonas bastante inclinadas. Chegámos a ultrapassar os 2500 m de altitude. Neste passeio só coloquei protector solar 1x e ia de totó.
Quando chegámos ao hotel, esbaforidos, estava com um escaldão nos braços de todo o tamanho: ardia por tudo quanto era lado, e quase gastei um litro de creme Nívea para peles muito secas. Já há muito tempo que não tinha um descuido destes. Nessa noite, depois da caminhada, quando estava deitada descobri o escaldão no pescoço. Passou completamente despercebido até me deitar. O pescoço ardia e magoava quando me virava. Comecei achar esquisitíssimo e levantei-me para ver e repor o creme nos braços. Quando levantei o cabelo lá estava ele, bem vermelhão. Horas gastas a passar creme!! Que horror!! (é para dar ênfase a este que horrorrrreee!). E um desconforto Monumental! Ainda hoje estou para perceber como é que as pessoas de pele clara passam horas e horas ao Sol.
Neste percurso, o Florian teve que fazer de meu enfermeiro! ;-) íamos a caminho do topo quando passamos por uma área mais ou menos plana com uma ponte sobre o ribeiro feroz que descia da montanha. Parámos na ponte para o Peter nos tirar uma foto aos 3 e a vossa amiga começou a passar as mãos na ponte, que era de madeira. Ora, havia farpas levantadas, enfiaram-se directamente na palma da minha mão. Doeu um pouco, e comecei a ficar preocupada. Depois de mais uma sessão fotográfica, voltámos a subir a montanha e quando parámos lá mesmo no cimo o meu desconforto na mão era enorme e tinha eu pelo menos tentar tirar as farpas de madeiras. Comuniquei ao grupo o que se estava a passar e para meu grande espanto o Florian vinha munido de uma pequena bolsa com uma agulha e pensos rápidos e o Peter tinha um estojo com uma pinça e uma tesoura, para o caso de ser preciso. Ambos estavam muito habituados a caminhar na montanha e traziam os mais diversos utensílios para todo o tipo de situações. Começamos com a pinça, mas estava difícil e eu comecei a sentir-me muito mal-disposta. Sol directo, depois de uma subida de mais de 500m sempre muito inclinada e de cabeça baixa foi o suficiente para destabilizar o sistema todo. O Florian aconselhou-me a sentar e foi o que fiz. Mas não foi o suficiente, porque como não inclinei a cabeça para trás a situação piorou: comecei a perder as forças nas pernas, a visão turvou-se toda, comecei a ver tudo meio azulado e a ouvir as vozes deles ao longe. O Florian ao ver-me assim disse-me imediatamente: “Deita-te no chão e inclina a cabeça para trás!” Agora imaginem a cena: eu deitada, com a minha mochila às costas, sobre um arbusto, com a mão esquerda, a das farpas, levantada e o Florian a tentar tirar as ditas! Passaram uns bons minutos até que eu voltasse a mim e o Floriam conseguiu tirar as farpas todas! Um excelente enfermeiro, e ainda me pedia desculpa pela dor, porque doía mas eu controlei-me bastante, ele só via as expressões faciais. Depois lavei bastante as mãos na água da montanha e nem sinal de infecção e hoje nem qualquer marca tenho. Aquilo é que foi um trabalho bem feito!! Thank You!
Depois deste episódio, caminhamos na horizontal e demos a volta à procura de um lugar para almoçarmos. Neste passeio, o melhor de todos, em que o vento abana os pequenos arbustos e as flores que crescem entre as rochas só conseguia pensar numa música de um filme que adoro profundamente e que aqui deixo para vcs, porque ela me enche de força:
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Climb every mountain, search high and low
Follow every by way, every path you know!
Climb every mountain, ford every stream
Follow every rainbow, till you find your dream!
A dream that will need, all the love you can give
Everyday of your life, for as long as you live!
Climb every mountain, ford every stream
Follow every rainbow, till you find your dream
A dream that will need, all the love you can give
Everyday of your life, for as long as you live
Climb every mountain, ford every stream
Follow every rainbow, till you find your... dream... !
(Sound of Music)
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Cantei isto em plenos pulmões tal era a alegria e a força interior que senti ali! É único e a Natureza é Esplêndida e de uma beleza atroz. E nós todos fazemos parte dela!

No dia anterior fomos todos passear até Aosta. Apanhámos o autocarro até a cidade que nos levou desde o hotel até Aosta, lá em baixo no vale. Ao descermos pudemos avistar o Mont Blanc, lindo nos seus 4800m de altitude. Também nos cruzámos com vacas e fiz 2 videos sobre esta situação. Aosta é uma cidade pequena mas muito amistosa. Faz lembrar Évora, pois também foi construída dentro de muros. Andamos nas ruas com as montanhas ao fundo. Nesse Sábado havia uma comemoração e até tivemos direito a assistir à banda a tocar na praça principal – vídeo! Foi nesta cidade que vi pela 1ª vez táxis da marca Audi, BMW, grandes carrões transformados em táxis. Digam lá se os italianos não se governam bem, hein? A cidade tinha, a adicionar ao facto de quase todas as casas terem flores à janela (o que eu acho super amoroso!), um pormenor muito doce: havia geladarias em quase cada esquina! É verdade! Os italianos são doidos por gelados e estes são mesmo bons! Numa das fotos tiradas na cidade de Aosta vão poder ver que as pessoas que estão sentadas naquela rua têm todas um gelado na mão.
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Houve um detalhe que adorei nos italianos: a pronúncia do inglês! É delicioso ouvi-los, porque eles carregam nos “rrr”!!! É muito engraçado ouvir Good Morrening! Hehehehe e outras deste género. São muito diferentes dos franceses que põem a acentuação no lugar errado.
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Outra situação divertida que aconteceu lá foi comigo e com os animais que costumavam pastar bem perto do local da escola. Foi logo no início. Era costume levar os animais a pastar para perto do edifício da escola. Os animais eram várias cabras e um burro. Eu fiquei muito entusiasmada quando os vi pela 1ª vez, mas como estávamos com pressa não parámos ao pé deles. Os dias foram passando, os animais sempre ali e não havia maneira de eu lá ir ter com eles. Mas depois lá surgiu a oportunidade. Nesse dia, eu, a Swati e a Cathy subimos a uma das cascatas que se avistava de escola. Eu fui aquela que mais se aventurou, com as minhas calças waterproof (impermeáveis) e os meus hiking shoes, subi mesmo à cascata, passei por baixo dela e desci pelo outro lado. Quando voltámos, eu vi um pequeno grupo de alunos lá ao pé dos animais e um dos estudantes franceses estava a sair de lá. Pensei: “É a minha oportunidade!”. Vi a Cecile a ir na direcção dos animais e aproveitei a boleia. As cabras e o burro estavam cercados por uma cerca…… eléctrica! E eu não sabia, nem havia qualquer sinal a avisar. Conseguem adivinhar o que aconteceu? :-)))
A Cecile alçou a perna e passou lá para dentro, eu resolvi continuar a fazer festas aos animais, que eram muito simpáticos e vieram logo ter connosco, do lado de fora aproximando-me cada vez mais da cerca, que à 1ª vista parecia uma inofensiva cerca de plástico. Até que, com a minha perna esquerda, toco na cerca, no exacto momento em que fazia festas numa das cabras. Apanhei um choque ainda considerável e a bicha sentiu e deu um salto para trás! Eu não me apercebi logo que foi da cerca e pensei: “Bolas!! Apanhei um choque da cabra!!”
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depois deste pensamento, concluí de imediato que o meu cérebro também ficou apanhado e que preciso de tomar um reforço e rápido!! Fósforo e magnésio. A Miss Tsunami é que me escrevia, no outro dia, a dizer que os nossos profs da FCUL quando andavam a fazer o doutoramento tomavam doses cavalares de fósforo e magnésio! :-)
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É que nem pensei na cerca! Depois vi a Cecile a gesticular muito e lá conseguiu dizer, em inglês, a cerca é eléctrica!Percebi logo tudo! Passei para dentro e estive um bom bocado junto deles. Um espectáculo!! Adorei!! Eles olham para nós com curiosidade, mas não têm medo!
O único problema é que o meu músculo da perna ficou bastante afectado pelo choque, ficou preso e andei a coxear da perna esquerda uns dois dias (até passar) porque me doía mesmo! Até a dormir me magoava. Mas que aventura!

A minha colega de quarto: era uma indiana, como vos contei logo no início deste testamento J, que conheci ainda no aeroporto. Vegetariana. Faladora, mas selectiva nas pessoas que escolhia para falar. Simpática. Demo-nos bem, quem me conhece bem sabe que sou simpática e educada com toda a gente e não é difícil fazer amizades. Mas ela era uma pessoa peculiar. Tinha o hábito de se levantar todos os dias às 6h30m da manhã. Até aqui nada a declarar. O problema é que ela punha o despertador (que era o tlmv) a despertar 5x antes da dita hora, do tipo 5h45m era a 1ª vez que tocava e assim por diante até às 6h30m. Pensei logo: “eu ponho o meu 2x, ainda há gente pior que eu!!” Nunca me fez muita impressão, por causa do jet lag que durou bastante tempo. Além disso falava 2x por dia com o namorado, logo de manhãzinha, às 6h30m e quando se ia deitar. Longas conversas, o que eu achei engraçado. Mais tarde vim a perceber, porque ela me contou algumas coisas, que eles estavam em fase de arranjar o casamento, e o que era uma grande novidade para a família de ambos pois quem escolheu o marido foi ela e não os pais, como manda a tradição indiana. É verdade, isto ainda existe, está profundamente enraizado na cultura deles, e todos sabem que isso vai acontecer e aceitam plenamente. O caso deles é bastante raro, daí o nervosismo que envolvia toda a questão. Outra particularidade dela é que lia muito! Estava a ler o Código DaVinci pela 3ª vez e estava encantada pois descobria sempre coisas novas. Quando eu coloquei o livro que estava a ler na altura, o “Macrobiotic Way”, na minha mesinha de cabeceira, um belo dia chego ao quarto e dou com ela agarrada ao livro. Quando me viu entrar exclamou logo muito entusiasmada: “este livro é muito bom, estou a adorar as explicações deles!!”. Eu fiquei a olhar para ela, assim com um sorriso meio espantada meio divertida com a situação, e disse-lhe que não havia problema de ela ler o livro desde que ele estivesse disponível para mim quando eu o quisesse ler.
Andou a falar da Macrobiótica uma série de dias, o que lhe criou algumas situações embaraçosas, pois ela não sabia explicar bem aquilo e são poucos os que sabem o que é a Macrobiótica, apesar de estar muito bem fundamentada e os seus princípios serem lógicos e simples, sempre procurando o equilíbrio para o nosso organismo.
A Viagem de Regresso: Turim-Paris, 1 hora de viagem correu lindamente. Agora de Paris – Seattle foi inesquecível!! Mas do ponto de vista negativo, infelizmente.
Nesse voo, novamente com a AF, não fiquei à janela, fiquei nos bancos que dão para o corredor e já não iniciei a viagem muito bem disposta, havia um certo mal estar que atribuí à falta de comida. Nesse dia eu era a pessoa que tinha o vôo mais cedo. A SS arranjou um autocarro para nos levar de Pont ao aeroporto de Turim, mas como o meu voo era às 10h25m, o autocarro saiu às 6h30m da manhã! E o hotel ainda nos forneceu o pequeno-almoço para esse dia, o dono levantou-se cedissímo e ele próprio preparou tudo. Bem, eu pensava que quase ninguém ia no autocarro, mas enganei-me! Foi quase toda a gente, ainda que meio adormecidos, mas todos preparados e sem atrasos.
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outra situação divertida foi com as despedidas no dia anterior! Vcs sabem que os americanos não são de dar beijos como os europeus, eles lá dão abraços quando já são amigos e apertam mãos quando estão a conhecer alguém pela 1ª vez. O jantar do dia anterior era supostamente o jantar de despedida e no fim todos nos começamos a despedir de todos. Eu comecei aos abraços ao pessoal, ehehehhehe, o que provocou a mais alta confusão de beijos e abraços tudo ao mesmo tempo! Fui seguida pelos americanos que lá estavam, que fizeram exactamente a mesma coisa e no fim, antes de me ir embora olhei para trás e vi a maioria das pessoas a abraçarem-se! Só pensei: “esta moda dos abraços pega-se com uma facilidade tremenda!”.
Eu adoro dar abraços às pessoas que me são chegadas. Num abraço damo-nos mais, transmite-se mais sentimento que num beijo. Sinto-me mais perto!
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voltando à viagem, iam muitos grupos de miúdos italianos nesse voo. Eu fiquei ao pé de uns tantos. O problema é que um deles estava bastante doente e todos passámos um sufoco até o avião aterrar em Seattle. O avião não ia cheio, e estávamos entre a Irlanda e a Islândia quando eu começo a ver uma movimentação de pessoas a trocarem de lugar e um dos miúdos a ir para a fila do meio e a ocupar 4 lugares só para ele. Passado uns minutos, os assistentes da AF a correr para o miúdo com uma garrafa de Oxigénio na mão. Eu fiquei logo em alerta, e quando olhei para trás, ele estava mesmo na fila de cadeiras atrás da minha e fazia diagonal cmg, vejo o rapaz em muito mau estado, com várias pessoas ao pé dele e ele a respirar pela garrafa. Mas o pior ainda estava para vir! Servem o almoço, mas comi muito pouco, porque o má-disposição não havia maneira de passar.
Estávamos exactamente a sobrevoar a Gronelândia, quando me apercebo de mais movimentação por parte da equipa da AF e quando olho para o local vejo um homem a fazer massagem cardíaca ao rapaz, que se encontrava já no chão, para o reanimar!! Massagem cardíaca!!! Caramba!! Nunca na minha vida pensei em assistir a uma coisa destas dentro de um avião! É simplesmente horrível no sentido aflitivo! Estávamos, quem se apercebeu da situação, bastante assustados. Eu fui logo ver a nossa localização e ainda faltavam mais de 4h para aterrarmos.
O capitão do avião veio vê-lo nesta altura umas 2x que eu me lembre, porque eu tive que colocar os auscultadores para me ausentar dali, que aquilo era duro ver, e decidiu não aterrar. O homem que fazia massagem cardíaca ao rapaz era enfermeiro e viajava com o grupo. Foi o que o safou. Colocaram o rapaz a soro e ele dormiu sob o olhar atento de uma senhora que nunca o deixou.
Quando acordou, desatou a gritar! Outra situação desesperante, gritava me plenos pulmões. Foi exactamente neste momento que quase todo o avião se apercebeu que algo estava a correr mal. Não faço ideia por que é que ele gritava, mas era desesperante ouvi-lo. Lá o conseguiram acalmar, mas ele manteve-se acordado até ao fim da viagem e estávamos a aterrar quando vomitou. No aeroporto de Seattle, os bombeiros (Fire Department) esperavam pelo nosso avião. Parecia um filme à Hollywood! Assim que o avião aterrou, tudo se levantou queriam sair dali o mais depressa possível. Os assistentes de bordo tiveram que mandar sentar várias vezes as pessoas porque os bombeiros queriam entrar e não conseguiam. Depois de tudo sentado, vejo 2 bombeiros e uma mulher polícia e irem direitinhos ao rapaz, a falarem com ele e levaram-no. Só o voltei a ver mais tarde, quando ia para ao zona de controlo do passaporte, deitado no chão e a levar uma injecção no rabiosque.
Eu estava já mesmo muito cansada, vcs nem imaginam. Esperava-se mais de 1h39m na fila do passaporte. Nunca vi o aeroporto de Seattle assim, nem eu nem as pessoas que lá trabalhavam há vários anos e que nos disseram que aquilo estava mesmo mau. Duas raparigas vomitaram na fila. E eu só pensava: “Mas hoje todos se sentem doentes??”
Quando cheguei a casa nem queria a creditar que já estava em casa, depois de arrumar a mala (que era bastante pequena e não vesti toda a roupa que levei!), tomei um banho longo e deitei-me...estava exausta!

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E assim terminou mais esta aventura.
As viagens longas já começam a ser cansativas e o jet lag demora a passar.
Este foi o “post” mais longo que alguma vez escrevi e a vosso pedido! Acho que não me esqueci de nada, mas se me lembrar de mais alguma peripécia, adiciono no fim.
Espero que consigam lê-lo, em várias partes.;-)

Um bjinho grande!
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