13 February, 2008

O Dia de S. Valentim

Seattle vestiu-se de rosa e vermelho para se preparar para o dia de amanhã [aqui ainda é dia 13 de Fevereiro].

2 semanas depois do Ano Novo já se podiam ver estas cores, a lembrar que o dia 14 de Fevereiro deve ser inesquecível.


Tinha esquecido completamente este dia, se não fosse o meu amigo Xavi e o QFC :-) ... mas já lá vou.

O dia dos namorados nunca teve grande significado para mim, exactamente por causa de tudo aquilo que penso, sinto e vejo e que ainda hoje não conseguiu produzir nenhuma mudança interior.

Acho que todos os anos é a mesma coisa, os homens, coitados, numa azáfama para comprar uma caixa de bombons, ou um ramo de flores, ou um perfume que a sua 'cara-metade' anda há meses para comprar, tudo numa correria e num stress para contentar o 'outro lado'.

As mulheres, que tem a tendência natural para ter tudo controlado, já têm este dia muito bem programado e já avisaram o 'objecto do seu Amor' que deverá ser assim e assado, com um jantar de preferência e que gostavam muito de ter isto ou aquilo.

É mais ou menos como o Natal, em que as crianças fazem a lista e os pais (e não só!) andam desesperados a correr de um lado para o outro para conseguir 'contentar os filhos' (netos, sobrinhos, amigos dos amigos e por aí fora....).... sem nunca se lembrarem de lhes explicar o que na realidade é o Natal.

O mesmo se passa com o dia 14 de Fevereiro. Depois de muito ver e ouvir, perguntei-me centenas de vezes:
O que significa este dia, para mim? Qual é o seu significado?

É que, quando falamos de sentimentos e existe outra pessoa em causa (e aqui os amigos também se englobam), temos que ser MUITO Honestos, saber ver a nossa verdade para não magoarmos.

E a questão é, tanto para os homens como para as mulheres:

Que fizemos nós, durante 1 ano inteiro, com a 'nossa cara-metade'?
Fomos amigos dela, respeitámos as suas ideias, opiniões e sentimentos?
Fomos leais?
Ajudámos? Construímos? Rimos? Abraçámos, demos carinho?
Cuidámos? Perdoámos? Compreendemos?

De que vale tentarmos ser tudo isto numa fracção de horas num único dia, se nos outros todos nunca o conseguimos ser?
Além de ser pura ilusão é pura hipocrisia!

Seattle não é diferente de Lisboa, todos os restaurantes estão 'booked', os melhores pelo menos, segundo me disse o Xavi.

Todos fingem estar (há excepções, claro - e ainda bem que as há!) e ser muito românticos para não terem que levar com expressões de decepção e frustação 'da respectiva cara-metade', e toda a corrente de acontecimentos que lhes seguem.
É o peso da sociedade a actuar em todos nós. São os balões que enchem os corredores dos supermercados e a secção de flores frescas que duplicou de tamanho!

Felizmente, [e foram estas as razões que me levaram a escrever este 'post'], duas pessoas cruzaram o meu caminho aqui e que me mostraram que aquilo que eu sempre pensei acerca da relação entre 2 pessoas existe mesmo... existem relações genuínas, construídas com esforço, com paciência e com muito Amor.

Não sou eu que estou a usufruir da companhia destas pessoas, para vossa surpresa Homens, de modo mais íntimo, e nem sei se estarei destinada a viver (nesta vida) uma relação tão genuína como estas duas pessoas conseguíram construir com as respectivas mulheres, mas não escondo que estou muito contente por aquilo que eles me têm ensinado e tenho podido ver e Acredito que foi para isso mesmo que eles cruzaram o meu caminho.

Há uns meses atrás um desses meus amigos disse-me:
"Antes de ser marido da minha mulher, ou sou amigo dela!"
(ele é casado e acabou de nascer o seu 2º filho - ele guardou as férias dele, para poder acompanhar a mulher no 1º mês do bebé).
Quero que pensem sobre isto, tantos vcs mulheres como os meus amigos homens.
Quero saber quantos de vcs homens tomaria uma atitude destas?


Há várias semanas, talvez 3, que vejo o meu amigo Xavi a preparar uma coisa para dar à S.H. (esposa) no dia de S. Valentim.
O Xavi é casado com S.H. há 7 anos, têm minha idade e o primeiro filho nasceu há 7 meses.
Dado que vivemos todos na mesma casa, tem sido uma tarefa difícil e árdua, para ele conseguir trabalhar naquilo que ele idealizou e conseguir esconder até amanhã à tarde. Todos os dias à noite, depois de ela se deitar, ele começa a trabalhar na peça.
Os 2 Domingos passados foram de trabalho intensivo, é o dia em que ela vai à missa e visitar os amigos, logo está mais tempo fora de casa.

O que eu quero sublinhar aqui é que ele comprou todos os materiais para fazer uma caixa de cartão de raiz, comprou várias folhas de papel para a forrar, por dentro e por fora, fez a tampa da caixa, e quando tiramos a tampa, a caixa abre-se completamente e por dentro, em cada lado, podemos ver várias folhas em camadas com frases e fotografias a preto e branco, nas mais variadas formas, dos momentos felizes que compõem a vida deles.
Ele mostrou-me ontem o resultado final.
Não consegui esconder a emoção ao ver tamanho trabalho!
Nunca eu tive o privilégio de ver tanto esforço, tanto dedicação, tanto carinho!
O que ele acabou de fazer ilustra aquilo que nós podemos dar e 99% do nosso tempo NÃO queremos dar. Não é não podemos, é mesmo não queremos.

O que torna tudo tão valioso não é a 'caixa', é em tudo o que está em 'background' da 'caixa', porque se não houvesse 'background', daqueles verdadeiros, a 'caixa' nunca teria sido feita!

Façam vcs próprios a metamorfose acontecer! Os resultados serão sempre bons e valerão sempre a pena, é aquela alegria interior que não sai! :-)

I Hope All of You have a Lovely & Memorable Valentine's Day!

Cidreira Tea Hugs :-) ***

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