10 April, 2008

Socorro! querem arranjar-me um marido!

E cá estou eu de novo para partilhar com vcs mais uns episódios divertidos da minha vida ;-)
Até queria escrever da minha vida aqui, em Seattle, mas parece-me mais apropriado e verdadeiro escrever do início dos meus 30 anos.

Estava aqui muito indecisa quanto ao título que devia dar a este artigo, sem provocar ataques cardíacos ou de susto, no pessoal que me conhece e que me acompanha, então resolvi dar-lhe este que traduz literalmente o primeiro pensamento que invade a minha mente cada vez que oiço a palavra casamento... ;-)

A minha família nunca escondeu o desejo de me ver casada, o casamento da filha é muito importante.
Há uns tempos atrás, já eu cá estava, a minha mãe e o meu irmão uniram-se numa torcida para me arranjar um marido, mas fazendo as coisas como deve ser, primeiro era preciso encontrar um homem "decente"... e isto ainda durou uns tempos, apesar dos meus protestos e dizer que nem estava para aí virada, pois estou completamente IN LOVE pela ciência, não penso em mais nada a não ser no trabalho.... minto, até penso, agora penso na dança e no movimento "Show me some leg" que eu lancei junto das minhas colegas tangueras e que já está a ter efeito.... mas fica para outro artigo ;-)
Foi o chefe da família, o meu pai, a pôr ordem no galinheiro:
"NÃO SENHOR!!! A Xanita tem que se doutorar primeiro, dedicar-se de corpo e alma ao trabalho dela, e depois quando voltar........ logo se vê."
E aqui quase que o imaginei no seu melhor "job" de relações públicas, a consultar a sua agenda, daqui a uns anos, e dizer: "Bem, vamos lá ver então, o que aqui os meus contactos me dizem acerca do um bom candidato para a minha Xanita".

[Mas... o que é um bom candidato? como se define?]

E entro eu em novo período de calmaria, com a família mais conformada em esperar "alguns anos".
Pouco tempo depois mudo de casa aqui em Seattle.
E sabem lá onde vim parar! É que estes meus amigos (já falei deles num outro artigo) também andam disfarçados (mal!) de Cupidos e vcs nem imaginam o estado excitado em que ficam quando vêem a hipotese de um "boy-friend" no horizonte!
Eu separei de propósito a palavra para referir um amigo do sexo masculino.

A 1ª vez que me apercebi disto, que eu estava completamente a "leste do Paraíso", foi no jantar de comemoração da graduação do meu amigo Xavi, em que eu cozinhei o jantar - foi feijoada (estava uma delícia!).
Ele chama um dos melhores amigos dele, o Dani, solteiro, para se juntar à festa.
Assim que ele chegou, juntou-se tudo na cozinha a conversar enquanto a feijoada apurava.
O Dani é mais baixo que eu, a cabeça dele dá-me pelos meus ombros, assim para o moreno, um bocado eléctrico, sorriso aberto e falava comigo como se já me conhecesse há séculos..... coisa que desde logo estranhei, além de ter percebido que era mais novo que eu.
Fomos para a sala e passado uns minutos eu voltei à cozinha para desligar o fogão e quando regresso, o Dani vira-se para mim e sem meias medidas diz-me qualquer coisa deste género:
"Suséna, vou dar uma PARTY em minha casa, moro ao pé de tal e tal (mora ao pé do meu dentista), no tal dia, às tantas horas e gostava muito que viesses! Vamos jogar Trivial Pursuit versão STAR WARS."

Bem... vcs sabem lá o esforço que fiz para não me rir, e apresentar uma cara .... decente! :-D

A informação foi tanta e num tão curto espaço de tempo, que a única coisa que retive naquele momento foi a versão do Trivial Pursuit, que é um jogo que gosto muito.
E respondi: "versão Star Wars?" e ele "Sim, sim! Só sobre os filmes!" o meu pensamento a seguir foi qualquer coisa do género "Made in... America".
Enquanto esta conversa decorria, o meu amigo Xavi, atrás do Dani, fazia que sim com a cabeça e ainda acrescentou que o ambiente era muito bom e que ele estava a pensar ir também, e uns momentos mais tarde a mulher dele veio ter comigo a dizer para eu ir, que iria gostar e que era uma oportunidade boa... pois ela gostava muito do Dani... e por aí fora!

Ouvi muito calmamente todos os argumentos em relação à festa versão Star Wars, se fosse na altura do Halloween, provavelmente teríamos que ir mascarados :-), e acabei com a festa: "Foi muito querido da tua parte convidares-me, mas nesse dia, a essa hora, tenho o meu tango, e é um Social Dance, não posso faltar."
E não podia mesmo, porque andei a convencer os meus colegas a irmos todos, trabalho que durou 1 semana e meia, e o resultado foi uma noite altamente!

E o assunto morreu ali... até ao dia Internacional da Mulher em que chego a casa com um ramo de flores (que eu própria comprei para mim! os americanos não sabem o que é esse dia...) e quase que a casa vinha abaixo quando eles viram as flores. E aqui o 'vinha abaixo' é no sentido literal, pois puseram-se aos saltinhos!
e mais umas outras deste género.

Já estou a ver o dia em que um dos meus colegas de Tango me der boleia para casa ou para as aulas.... tenho o vestido de noiva quando voltar! :-D

E como não há coincidências nesta vida, a minha conta do clix foi "invadida" por emails de noivas, bebés, maternidade e sei lá o que mais, que tive que apagar tudo, porque nada realmente me interessava.

Mas dei comigo a pensar sobre isto.
Por que será o casamento tão importante? Que poder é este?
Será que é por eu já ter 30 anos e ser solteira?
Será o efeito dos 30 nas pessoas que estão mais próximas de mim?
Parece que tem mais efeito neles do que em mim, porque eu nunca me senti tão bem como estou e confesso, assim em jeito de segredo, que me assusta só o facto de pensar em dividir o meu tecto com alguém por tempo indeterminado, não ter o sofá só para mim (o que me faz lembrar imediatamente das corridas que eu e o meu pai fazíamos para conseguir um lugar na sala quando morávamos em Cpº de Ourique) e este silêncio que me traz muita Paz, poder de reflexão e de decisão e sem o qual já não consigo passar... enfim, coisas que realmente aprecio e que dão TODO o sentido à minha vida.

A verdade, quer queiramos quer não, é que somos programados, desde pequenos, para casar e formar família, e a nossa sociedade hoje ainda não aceita quem segue um rumo diferente.
Eu não sei se terei um rumo diferente, mas não vou fazer nada contra a minha vontade só por ser o socialmente correcto, ou para calar as más línguas... e explico: ainda há muito boa gente, da minha geração mesmo, que acha que ser solteiro é uma espécie de maldição, há um olhar diferente e à medida que o tempo passa parece que surge em nós uma pressão para arranjar alguém... depressa.
Abandona-se o coração... e é nele que está mesmo a escolha, a escolha de alguém bom para nós.
E aqui o Bom depende dos nossos valores, daquilo que consideramos mesmo importante.

Lembro-me de uma senhora (que nunca me viu na vida nem mais gorda nem mais magra) que aqui há precisamente 1 mês atrás me leu a Aura, e me perguntou várias vezes "are you in a relationship?" e depois lá explicava o porquê da pergunta, que não vale a pena entrar em detalhes aqui, estas conversas esotéricas que ninguém entende são discutidas em círculos fechados com pessoas ainda mais esotéricas ;-), e no final lança a pergunta cuja resposta é dificílima de se dar:
"Afinal, o que é que a Suséna procura num homem?"
depois de uns segundos de silêncio, em que todo o tipo de características masculinas me passava pela cabeça mas nenhuma ficava, e ela me olhava com aquele olhar de quem diz "I know!" e só me saiu "Oh God!that is a tough question!"... ela recosta-se novamente na cadeira e com um sorriso nos lábios diz: "A Suséna procura um homem que dê, que saiba dar, que saiba partilhar de e com o coração, que não saiba só receber."
Ao princípio todas aquelas palavras me pareceram vazias de conteúdo e sem muito sentido, mas depois de pensar um pouco, as peças do puzzle uniram-se!
Por que é que as minhas relações anteriores, namorados, amigos/as, conhecidos/as não deram certo? exactamente por isso, porque eu estava a dar e não receber, e receber, para quem dá, faz uma diferença brutal e vcs sabem bem que sim!

Somos ou não somos mais felizes quando damos, quando partilhamos algo bom? quando vencemos as nossas próprias barreiras? é delicioso, eu SEI, eu vivo isso quase todos os dias!

Ver um homem a partilhar, a dar de e com o coração, a lidar consigo próprio é algo Maravilhoso que me rende completamente.... e ela tinha razão!

Até ao próximo. Um beijo.

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