01 October, 2008

O Regresso a Seattle. Parte II


Comecem por ler o parte I (aqui).



O problema surgiu depois de ter recolhido a minha bagagem.

Ia eu toda contente a empurrar o carrinho com as minhas 3 malas :-) quando vejo vir na minha direccção um sr. officer e bem alto por sinal.
Pede-me a minha declaração da alfândega, ao mesmo tempo que me pergunta quanto tempo vou ficar no país e escreve um número a vermelho na minha declaração. ai ai ai... pensei eu.
Ainda faltava passar na inspeccção da alfândega, o que significa mostrar a declaração aos srs. inspectores.
Lá vou eu e assim que mostro... acontece! mandam-se para trás para uma outra fila onde se podia ler: Agricultural Inspection!

Arghhhhhhhhh, mais uma vez as minhas malas foram vistas, raios! eu trazia canela em pó e em pau (especiarias), algas marinhas e miso, mas como era tudo para mim e em quantidades muito pequenas, fingi de conta que não trazia nada!

Já viram isto?? sempre que saio fora da linha, do que é correcto e legal fazer, sou sempre apanhada!
Queria ser como aqueles que nunca declaram nada e conseguem sempre passar!
Tem que haver um truque qualquer! :-D
Partilhem comigo, pleeeeease!

lá fui eu para a fila da Agricultural Insp. e atrás de mim parou um casal, visivelmente preocupados porque estavam atrasos para o próximo vôo, que traziam laranjas na mala e também não as declararam. hehehehehe

Bem, o que não dá para acreditar, é que depois deste aparato, e depois de colocado todas as minhas malas de novo no raios-X, tive que perguntar se já as podia recolher, porque os inspectores não me ligavam nenhuma, ninguém dizia nada. Depois lá disseram, muito rapidamente: Sim, sim pode recolher!


Mais um novo raios-X, o da saída e depois é só esperar pelas malas nos tapetes rolantes relativos à cpª aérea em que viajamos.

Next step: o Shuttle Express.
'E um serviço que nos leva (e traz) à porta de casa.
O aeroporto fica a uns 45 min de onde eu vivo. Tive que esperar um bom bocado, mais de 1h, para haver pessoas suficientes para ir para Seattle. A maioria das pessoas que ia aparecendo tinham como destino locais mais a Norte ou a Sul.

Nesta altura já sentia muito o cansaço.
Consegui-se reunir 4 pessoas: eu, uma cheerleader :-), uma investigadora britânica na UW que se iria reformar para o ano e com aquele sotaque delicioso, a viver há 20 anos em Seattle (que mais tarde me confessou que Seattle não é a cidade dela, ela gosta é de agitação e aqui o pessoal é todo 'demasiado' relax), e um japonês de visita a Seattle, que tinha que estar às 18h00 não sei a onde para um cruise no Lago Washington.
Chovia aquela chuva miudinha, o trânsito caótico.

E num sinal... PUM! um carro bate em nós!

Não foi forte, mas foi sentido. Encostámos mais à frente. Era um rapaz novo, que nunca se apercebeu que nós estavámos dentro da carrinha, porque esta tinha vidros fumados.
O condutor sai e começa a troca de documentos, e para mal de todos os pecados de todos nós, o rapaz não tinha carta de condução, o carro era do pai dele, o registo tinha um problema qualquer e o seguro do carro estava caducado!
Oh God!
Entretando a policia é chamada, porque a situação estava negra.
O rapaz e o nosso condutor começam a discutir, na verdade quem discutia era o rapaz, pq o nosso condutor mantinha-se calmo, e ele estava de tal modo furioso que começou aos pontapés a um sinal de trânsito que estava parado ao pé dos nossos carros.

E nós lá dentro a assistir a tudo isto.
Chega a policia, que o nosso condutor entretanto chamou.

Para vos dar uma noção do tempo que passou, aterrámos em Seattle às 15h00 locais, eram 18h00 ainda estávamos parados a tentar resolver o acidente, que não provocou quaisquer danos, a não ser entortar um pouco a matrícula do carro do pai do rapaz.

Entretanto cai uma carga de água de todo o tamanho. Eu, dentro do carro, olhava para o céu e repetia: o céu está a ficar muito escuro, o céu está a ficar muito escuro. Não tardou aquela trovoada sem raios. Tudo para dentro dos respectivos carros. Policia inclusive :-)

O japonês perdeu o cruise, foi o 1º a ser deixado em casa, a cheerleader ficou na UW, e de uma aula pratica de 4h em que deveria ter estado desde o início, só conseguiu chegar a 1h30m do fim.
Eu atingi a exaustão a meio da viagem, dormitei e entre esses minutos em que os olhos sucumbiram, consegui sonhar!
Fui a penúltima a ser deixada em casa. Não pagámos a viagem, poupei $39, mas dei gorjeta, pois o condutor da nossa Van foi uma simpatia e ajudou-me com malas, levando-as até à porta de casa.

E como eu tinha prometido não falar das limpezas, ai... tenho tanta vontade, tanta, tanta! :-D só um bocadinho, não fiquem aborrecidos, não vou entrar em detalhes, mas pude constatar que a WC foi tantas ou nenhumas vezes limpa, que por baixo do tapete anti-escorregante que está dentro da banheira, a cor era preta!! PRETA!

Deitei-me já passava das 23h locais, depois de lavar a WC, para poder cuidar de mim lá, logo a seguir. Fiquei no total mais de 24h seguidas sem dormir.

Que um dia interminável!

Na altura fiquei mesmo muito cansada com todos estes acontecimentos, hoje estou perdida de riso a escrever isto:-)


Um beijo e até ao próximo :} **

2 comments:

Márcio Branco said...

Ehehehehhehe. Quando queremos que tudo corra na perfeição é que o inferno nos invade a vida :-)
História bem caricata :-)

daisy@UW said...

Viva Marcio!

Obrigada pelo comentario :-)

Se achou esta historia caricata, espere pelas do babysitting que eu andei a fazer aqui durante o mes de Setembro! Essas sao do arco-da-velha! :-D
'As vezes tenho a sensacao que o meu cerebro para, ou decide dar uma volta no espaco sem me avisar!