02 February, 2009

O meu diario, pagina 4.

O que se seguiu ao ‘Something New’ foi o ‘27 Dresses’, que tem um título horroso em Português!
Vi pela 1ª vez com a P. num movie theater. $10 o bilhete. Outrageous!
Uma história comum que foi vista umas 27 vezes, pelo menos.

Este filme é bem diferente do anterior.
È uma caricatura de como os casamentos são vistos na América, os vestidos das damas de honor que geralmente não se usam mais, e todo o aparato envolvido na organização deles.

Vai ao coração de todas as mulheres quando diz que o casamento é o sonho de todas elas.
Pergunto-me porquê.
Porque é socialmente aceite, porque toda a gente o faz, muitos sem saberem porquê e estão ali porque tem que ser. Isto não é uma regra, porque existem excepções.

Porque fomos educadas neste modelo, vimos o casamento dos nossos pais como o nosso modelo, mas à medida que crescemos podemos criar a nossa própria individualidade e adaptar a nossa realidade, aquilo que queremos SER, à sociedade em que estamos inseridos.

Parece-me incoerente casar pela igreja, quando nunca na vida lá entramos a não ser quando fomos baptizados ou para ir a outros casamentos, não lemos a Bíblia e nem sabemos o que lá vem, nem praticamos os ensinamentos de Deus.
Também não acredito que precisamos de uma pessoa, um intermediário de Deus para nos abençoar. Isto ainda é mais difícil de me convencer.
Desde que nascemos já somos abençoados e, qualquer que for a nossa escolha, e porque Deus nos concedeu o livre arbítrio para que possamos descobrir quem realmente SOMOS, essa escolha já é abençoada por Ele, mesmo antes de ela ter sido feita.
Além disso, a Igreja é uma instituição, que nos ‘obriga’ a um determinado modelo de vida, que não é mais do que um tipo controlo.
Não acredito num Deus vingativo. Se ele nos criou, quererá sempre o melhor para nós, nos Amará em todas as circunstâncias da nossa vida. É assim que eu o vejo.
Não é assim que a Igreja católica o vê. Nem podia, como instituição que é.
Alguns textos, em blogues de católicos fanáticos, são mesmo muito difíceis de ler, muito por causa da sua forma ‘não-natural’ de colocar as questões.

Os sentimentos também são bem explorados neste filme, principalmente sentimentos escondidos, que são mantidos em segredo, fundamentalmente por medo, mas que tomam proporções avassaladoras.
Este tipo de sentimentos impede que novas situações aconteçam nas nossas vidas.
Muitas das vezes por nossa própria escolha.

É impressionante com a personagem principal vive um amor escondido, altamente não correspondido, e o seu objecto de amor usa e abusa dessa doçura.
Não acho de todo que seja pura ficção.
E associado a este ‘esconder’ de sentimentos, vem o esconder das emoções verdadeiras, o disfarçar perfeito da tristeza, raiva e revolta com um sorriso mais bonito que se pode ter. O estar alegre para os outros, quando por dentro, choramos intensamente. Isso acontece quando a irmã dela conhece o chefe dela. A expressão facial é, literalmente, a expressão do que vai lá dentro, e o esforço que é feito para não deixar transparecer o quanto a situação a está a magoar.
As mulheres são peritas nisto.

A questão aqui é: até quando, até que ponto vamos permitir que mágoas povoem os nossos corações, resultantes de atitudes não tomadas?

Lembro-me e orgulho-me de ter essa coragem.

Sempre que desenvolvi sentimentos mais intensos por alguém, aquele desejo de estar com aquela pessoa, de partilhar com ela, de ver e rever as nossas fotos, conversas, horas ao telefone, passeios, cafés, disse-o.

Pior do que não dizer, é viver na ansiedade de nunca saber se era ou não correspondida.

Das vezes que o fiz não era, mas nunca me arrependi.
Honrei sempre o que sentia, e isso foi o mais importante para mim.
Também não gosto de intermediários nas relações. Por mais boas intenções que os outros tenham, nunca poderão transmitir aquilo que realmente sentimos, só nós o podemos fazer.

E temos que ter coragem para lutar por aquilo que queremos!
Quando as coisas são feitas com o coração, dificilmente o arrependimento aparece.

Mas quando as coisas são feitas pela Mente (que mente 99.999% do tempo) o panorama é bem diferente.

E temos que aceitar que nem sempre agradamos ao outro, a isso chama-se viver. Isto é a Terra não é o Paraíso.
Os outros também são livres de escolher e podem não nos escolher. E isso não é mau, não tem que ser mau.
Se não somos correspondidas, significa que essa pessoa é incapaz de ver o nosso ‘brilho’ e de longe, não poderíamos construir algo de ‘feliz’ com ele/ela.


Outro ponto bem focado neste filme é a extraordinária capacidade que as mulheres têm de convencer um homem que elas é que são ‘a tal’.
Um homem apaixonado ‘engole tudo’! É assustador. É o nosso veneno mais puro. Temos esta qualidade (ou não?) de nos adaptar para o conseguir ‘agarrar’ nem que isso signifique disfarçarmo-nos de cordeirinhos.
Conheço alguns casos. Não concordo com nenhuma das atitudes.
Traz, definitivamente, consequências a longo prazo.

A amiga da personagem principal, a Casey, representa o lado mais irónico e lutador das mulheres, o lado forte da auto-estima, o lado prático e decidido das mulheres, o lado dos ‘pés bem assentes no chão’. Lado que, infelizmente, não tenho bem desenvolvido :).
Lembro-me bastante bem dos diálogos delas.
Deixando os meus dedos teclar….
“He asks if you want a drink, you smile and you say: Vodka soda. If you already have a drink, you down it, then there’s some flirting, some interoffice sex, an accidental pregnancy, a shotgun wedding and a life of bliss. How many times do we have to go over this?”

Na aula de Yoga:
“That selfish whore! …. Men just become hypnotized by her voodoo and they loose their minds (….)” – “You are shitting me! (...) but if she crosses me, I’m gonna kick her ass. And then I will kick your ass. Then I’m gonna have a couple of drinks… (Gong) – there’s no sign that says ‘’No talking” !”.

É por isto que existem sinais para tudo, aqui nesta terra!

O papel dos homens não é de todo posto de lado. Os poucos diálogos que existem entre os 2 homens, os jornalistas (“And you’re not getting laid?”) exemplificam bastante bem como eles são bem práticos na arte de seduzir e aproveitar todas as oportunidades que surgem para ‘apanhar’ o sexo oposto. Sai-se uma vez à noite para dançar e temos dezenas de homens à nossa volta. Elas, as americanas, estão super habituadas a este jogo. Para as que não estão, é assustador.
Foi a palavra que me veio à cabeça quando aconteceu comigo.


Seattle, 5 de Fevereiro de 2009.


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