19 August, 2009

Um pouco sobre as ferias - parte II

[afinal esta historias tem 2 partes! sera' que a vontade de escrever voltou? :) ]


O destino final era S. Francisco.
Nao sabia falar ingles.
Curiosamente ficou sentada ao pe' de mim, ela 'a janela e eu no corredor. :)
A viagem correu bem.
Quando aterramos, esperei por ela - atitude que a deixou visivelmente contente e saimos as 2. Um dos assistentes de bordo deu indicacoes, sobre uma cadeira-de-rodas, ao motorista do autocarro que nos levou ao terminal, e la' fomos as 2 a conversar ate' o autocarro chegar ao terminal.
No terminal, um assistente esperava com uma cadeira-de-rodas, e la' fomos os 3 (o assistente fez sempre questao que eu os acompanhasse por causa da lingua) em passo super acelerado (a cadeira tinha rodas e eu tenho pernas!) para o outro terminal, o dos voos internacionais.

E aqui a coisa complicou-se!

Tivemos que apanhar outro autocarro, para nos levar ao nosso terminal de embarque, e quando saimos do autocarro nao havia nenhuma cadeira-de-rodas 'a nossa espera.
Perguntei-lhe se ela conseguiria aguentar o caminho e ela respondeu que sim, que achava que sim. Eu comecei a ficar preocupada.
Andamos um bom bocado e chegamos 'a seccao do controlo de passaportes. O problema 'e que o numero de balcoes disponiveis para o controlo era imensos e quase todos vazios, excepto uns la' no fundo do corredor.
Olhei para ela e o esforco em andar ja' era visivel. Perguntei a um seguranca qual era o balcao a que nos deveriamos dirigir. Ele indicou-nos o errado. E assim que passamos o controlo do passaporte, estavamos literalmente no caminho para a recolha das bagagens. Percebi logo o porque dos 'ultimos balcoes terem um fila grande de gente: o pessoal que tinha outros destinos que nao o de Londres, tinha que fazer o controlo nesses balcoes. Ainda procurei na minha memoria para me tentar lembrar se vi algum aviso, mas esta procura revelou zero de informacoes acerca disto.
Nao tivemos outra alternativa, depois de eu falar mais uma vez com uns segurancas na 'area das bagagens, senao sair e voltar a entrar. Isto significa: voltar a fazer o check-in novamente.
Mas desta vez, pensei eu, vamos directamente 'a area da seguranca e do raios-X porque ja' temos os bilhetes connosco, o check-in foi feito em Lisboa.
Assim que mostramos o bilhete, tivemos que voltar mais uma vez para tras, por causa do bilhete da D. Beatriz ('e o nome dela), que tinha que passar pelo check-in novamente, nao era um bilhete electronico como o meu.
Novamente na fila para o check-in, mais a fila para o raios-X e seguranca.
Foram momentos bem tensos, porque ela devia sentir-se tao perdida (falava muito pouco e agarrava-me fortemente o braco e eu repeti vezes sem conta "nao se preocupe D. Beatriz, vai tudo correr bem!") que nao via as filas de pessoas, nao sabia onde era para esperar e desatava a andar sozinha e a passar 'a frente de toda a gente.

Depois de tudo isto, estacionamos em frente dos monitores para ver a "gate" do voo dela, pois ela sairia primeiro que eu. Infelizmente ainda nao havia essa informacao disponivel, faltava 1h30m para o voo dela.
Olhei para ambos os lados e apercebi-me da imensidao daquele terminal. Ao lado dos monitores estava uma planta dos diversos sub-terminais e assustei-me.

Olhei para ela, e ela ja' estava, claramente, em sofrimento, as olheiros do cansaco e do esforco de estar tanto tempo em pe' eram evidentes!

Felizmente, nem tudo 'e mau, ha' sempre uma saida, vi um balcao de informacoes da BA, mesmo ali ao pe'. Perguntei-lhe se ainda conseguiria ir ate' la', respondeu que sim, e chegando la' pedi uma cadeira-de-rodas.
O rapaz foi muito simpatico, fez os telefonemas que tinha que fazer, viu o bilhete dela, confirmou a cadeira-de-rodas, mas ... tinhamos que ir ate' "nao-sei-a-onde" e esperar la'. Quando ele disse isto, eu pensei que o tal balcao central a que ele se referiu fosse "ja' ali", mas curtas distancias em terminais de aeroportos 'e um conceito que nao existe, principalmente para quem nao conhece, nao fala a lingua, esta' "em dor" e emocionalmente em baixo.

So' descemos as escadas rolantes, para depois de uns 5 minutos voltar para tras, e eu com o meu ar "severo" virar-me para o mesmo rapaz e dizer, no meu Ingles-a-Portuguesado, que nao iamos a lado nenhum, porque a senhora ja' estava bastante mal, a cadeira-de rodas era coisa da qual ela deveria usufruir e no's iamos esperar ali pela cadeira.

Ele, olhou-me com um olhar serio de respeito, fez novos telefonemas e respondeu: "Entrem por favor, sentem-se, descansem, comam qualquer coisa enquanto aguardam pela cadeira."

Entrem?


Desviei a cabeca para ver o que se passava atras deste balcoes, e dou com, nada mais nada menos, a area VIP da BA. "Invitation only" dizia logo 'a entrada. Um mundo 'a parte, totalmente.

A cadeira demorou uns 5 minutos, foi so' o tempo de ela se sentar e de nos organizarmos.
Falei com o assistente, ele viu o bilhete dela, e assegurou-me que a ia deixar na gate do voo dela.
A despedida foi dura. Ela muito aliviada e muito contente, visivelmente emocionada, agradeceu-me do fundo do coracao, disse que eu era o anjo dela e eu na brincadeira respondi que os anjos sempre se encontram e existem de verdade. So' temos que acreditar que quando precisamos de ajuda, ela vai vir! vem sempre!
"Vou rezar por si, Susana!" disse ela com os olhos cheios de lagrimas. E eu... nao me contive enquanto dizia adeus.

Umas quantas respiracoes profundas e abdominais (santo yoga!) para voltar a ser eu :) e consciencializar que eu tinha ficado na area VIP. Estava cheia de fome, precisava de ir 'a WC. Vou aproveitar, aqui devem ser mais limpas. De facto, muito mais limpas, muito amplas, com um lavatorio em cada casa-de-banho e com dois tipos de gel para lavar as maos, um cremoso e outro em gel.
Depois?... bem, depois aproveitei a recompensa pelo facto de ter ajudado alguem e ter ficado ali, servi-me de comida, de bebida e sentei-me a apreciar a vista que a sala VIP tinha, misturada no silencio, elegancia e educacao das pessoas que povoavam aquele espaco.
Para finalizar, dirigi-me 'a seccao dos cafes, onde as maquinas faziam tudo o que no's quisessemos beber, e "fiz" um cha' para mim.
Sai' para me dirigir 'a minha gate e voltar ao mundo nervoso que sao os terminais dos aeroportos, onde se assiste a tudo.

Ena! este foi grande!! :)
acho que ainda vou escrever uma parte 3, resumindo os eventos "que-ficaram-para-a-memoria" nestas ferias. ;)

FOTOS?
nao sao muitas nao.... a minha maquina tem a lente ... grrrrr....grrrrr...arggggghhhh.... adivinham, nao 'e? :D

Estao la' no Cantinho das Recordacoes.

Estou a pensar em colocar slideshow nos "posts" em vez dos albums no lado direito, o que acham?
Eu acho que 'e uma ideia gira, estou a pesquisar sobre isso ;).

Um beijo :}**

1 comment:

Lord Jeremias said...

:P
tomar os passos na direcção dos outros é sem dúvida a melhor maneira de viver e experienciar o mundo. Em Santiago, no caminho, dizíamos que o caminho nos providenciava pessoas para trocarmos algo que necessitávamos. e de seguida as mandava no seu destino. sempre acreditei nisso. e ajudar alguém que está ali completamente perdido no mundo nada simpático para quem não se ajusta tb sabe muito bem!
noutro assunto:
welcome to mac world!
dps quando me apanhares online diz-me algo para te dar uma lista de sites e dicas e software para o mac.
beijos sô Doutora...