31 March, 2010

4 dias de terapia :) / Santa Monica, LA

[as fotos estão lá no fim.... da história, no final, valem muito a pena! :)]

Este é o artigo sobre o Halloween de 2009! finalmente! :)
Estou muito contente comigo própria por não demorei 1 ano para escrever este evento, isto é histórico! :)

My Dear Friend Cat (que conheci lá em Seattle) voltou ao EUA para continuar os seus estudos. Desta vez aterrou em LA para um pós-doutoramento! E assim que soube que ia para LA, esteve sempre a "matraquear-me/aborrecer a molécula" para eu a ir visitar: "tens que cá vir, Su!", "não podes ir embora sem me vires visitar, conhecer isto, é tão perto!".
"Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.", lá diz o velho provérbio.
E assim foi, fui digerindo a ideia - que eu sou daquelas pessoas que preciso de reflectir sobre o que vou fazer principalmente se incluir gastos avultados de dinheiro - e escolhi o fsm do Halloween para a ir visitar (foi a tal vozinha interior).
Eu sou muito direccionada para o trabalho, mas quando acho que mereço uma pausa, mereço mesmo, e sem qualquer dor na consciência (!!), tirei 2 dias de férias e comprei uma viagem Seattle - LA ida e volta por $110!! foi um achado!
A viagem correu bem, é curta, deixei uma cidade cinzenta e fria para aterrar numa cidade cheia de Sol e mais quentinha. Foi uma das melhores pausas da minha vida!
Da viagem propriamente dita, não tenho grandes memórias, lembro-me de ser bonita, viajámos ao longo da costa do Pacífico, e houve uma altura em que começamos a sobrevoar a cidade destino, LA. E-N-O-R-M-E!!! o avião demorou uns 20 minutos, mais coisa nemos coisa, até aterrar no aeroporto, vista de cima é uma área muito grande ocupada por casas, ali no vale, as montanhas mesmo a norte, o Pacífico a oeste, as praias, e a camadinha de poluição a pairar sobre a cidade, típica de cidades com estas localizações geográficas, mas felizmente a camada não era muito espessa. Acho que no verão, aquilo lá, é complicado para o sistema respiratório.
Mas não para quem vive em Santa Mónica. :)




Santa Mónica é delicioso!! É mesmo, no verdadeiro sentido da palavra. Faz lembrar algumas regiões algarvias, mas sem a enchente de turistas. Ruas com casas baixas, àrvores e relva, pavimentos e passeios limpos e planos, quarteirões a perder de vista e que nos levam em direcção às praias.
Muito suave, muito equilibrado, e com muito Sol! :) dá vontade de fazer um jogging matinal, ou um passeio a pé por uma das ruas principais, com supermercados, lojas, cafés, até chegarmos à baixa de Santa Mónica, com toda a sua história de mais de um século de vida, o mercado aos Sabados, a rua pedestre mais conhecida, a "Promenade", com artistas de rua, lojas e cafés sem fim à vista.
E nem vos vou contar a "Avenida Marginal", cheia de Palmeiras em ambos os lados e um jardim com varanda com vista para as praias e o mar! Muito Bonito!

Na 5ªf, quando cheguei, a maior aventura foi mesmo o autocarro: tão diferente de Seattle. A simpatia não abunda entre os motoristas, o extremo oposto do que acontece em Seattle. E não têm o sistema de "transfer" como existe em Seattle e se quisermos o tal "transfer" temos que pagar uma taxa adicional. Andar de autocarro é uma aventura por si só: os motoristas parecem só saber fazer 2 coisas na perfeição, acelerar e travar. É um movimento para a frente e para trás a viagem toda! Não recomendável para quem acabou de ter uma refeição consistente ;). E convém agarrarem-se bem, quer viajem em pé ou sentados!


Na 6ªf, fomos explorar um pouco de downtown de LA, um pouco longe de Stª Mónica, e encontrámo-nos com uma srª, amiga da senhoria da Cat, que se disponibilizou para dar uma voltinha connosco de carrro e mostrar-nos a baixa da cidade.
Chegámos a downtown de autocarro e que nos deixou no Civic Center, mesmo ao lado da Catedral, que também fomos visitar e é muito bonita, com um conceito muito novo e muito espaçoso.
Tivémos que perguntar onde poderíamos comer e metemo-nos a pé pela parte "mais perigosa" de downtown, a parte mexicana. Uma avenida muito grande só de lojas e restaurante mexicanos, já com um ar muito velho. Mas nós lá fomos, destemidas, à procura de comida.
A zona não é propriamente desagradável, o semblante das pessoas com que nos cruzamos é que triste, pesado. E numa cidade com tanto Sol, com tanta riqueza, estes encontros têm o seu impacto.

Foi um problema grande encontrar comida, porque a cultura mexicana é baseada na carne e não encontramos um único restaurante que servisse um prato vegetariano, pelo menos naquela zona.
Tivémos que recorrer ao nosso contacto, que nos levou a almoçar num café já sem gente (há muito que tinha passado a hora do almoço) mas onde haviam opções vegetarianas e chá quente!

Mas antes...... mas antes de nos deixar no café, levou-nos numa curta viagem pela zona.

Foram uns doidos 10 minutos de carro, a andar pela baixa da cidade, com uma rapariga dos seus 30 e tal anos ao volante, super acelerada e a debitar 500 palavras em 10s! literalmente: Super acelerada! A única coisa que fixei é aquela parte da cidade é mesmo muito grande, é impossível de percorrer a pé.
Deixou-nos no café e fez-nos prometer que iríamos ter com ela ao trabalho dela, que era mesmo ao lado.
Estavamos exaustas e famintas.
Levámos horas para comer e eu não me queria levantar daquelas cadeiras altas e do silêncio de estarmos só nós e mais uma família de visitantes. Aquele bocadinho ali foi um "pedacinho do céu".
Bem... ela achou que nós estavamos a demorar e veio-nos buscar.
Lá fomos nós, conhecer os andares, cheios de divisões a separar os espaços ocupados por cada um, tal como se vêem nos filmes. Conhecemos imensa gente, desde o namorado dela a todos os colegas dela do mesmo andar e andares adjacentes. Nunca ouvi repetir tantas vezes "they're from Portugal!" com uma voz muito entusiasmada :).
Já se fazia tarde e ainda queríamos dar um pulinho a Beverly Hills. Pedimos-lhe para nos deixar na paragem do autocarro.
O que nós lhe fomos pedir! Credo, outra aventura, por mais ruas e ruas e nós a vermos passar todas as paragens do autocarro que tínhamos que apanhar. Lá nos deixou e por sorte apanhámos logo o bus.

Outra aventura :)....acho que poderíamos ter usado capacetes na viagem de autocarro.
E quando chegámos fomos direitinhas a "Rodeo Drive, baby!".
Meus senhores, não é nada como aparece nos filmes, NADA! é uma rua pequena, com lojas de marcas caras, sem brilho nenhum e sem pessoas! Ficámos muito desiludidas, e para compensar, parámos para tirar fotos e 2º round para entrar nas lojas ;).

O jantar ficou a cargo do Kiko, amigo da Cat, que nos levou a um restaurante Italiano, em Venice Beach, onde o vinho era à descrição, os pãezinhos de entrada eram deliciosos e onde, no final, cantámos todos juntos uma canção, pelos vistos tradição do restaurante, "that's Amore!", ao mesmo tempo que os empregados percorriam as mesas e brindavam connosco. Espectacular!!

No Sabado, fomos fazer uma Walking Tour por Santa Monica, às 10h00 da manhã, com uma guia e mais outras 2 senhoras, que tinham mais de 60 anos. Tipicamente americanas, muita maquilhagem e aquele orgulho na voz e nas palavras cada vez que a história Americana era mencionada.
Ouve-se falar muito do American pride, mas só quem sente, quem lá vai e sente e vê com os seus próprios olhos o que é, é que realmente sabe. Nunca mencionámos o historial de Portugal, é importante reconhecer o valor dos outros, mesmo sendo estes outros ... mais novos ;).
A Walking Tour (podem ver nas fotos), é algo muito interessante e recomendo vivamente que façam seja lá ou em qualquer outra cidade que vocês visitem. É um modo de se familiarizarem com o local e isso ajuda-nos à identificação e a ter aquele sentimento de ligação a algo.
Andámos a manhã inteira, soubemos onde nasceu o "Popeye" e um pouco da história de Santa Mónica e claro está, a mítica autoestrada 66, que atravessa o país de Este a Oeste e termina.... em Stª Mónica!
Gostei muito de conhecer os hotéis Shangri La (Art Deco) e o Georgian, este último um dos hóteis históricos do país.

Cheias de fome, parámos para comer num café, Vegan e não só, que vimos quando andávamos na Walking Tour. A comida era muito boa, o pão também, o único senão é que, comida de qualidade, custa muitos $$$!
Fomos também ao Pier, o famoso Pier de Santa Mónica, com o parque de diversões e onde podemos observar um leão marinho, em pleno oceano, a "pedir" comida aos pescadores.

Próxima paragem? praia, comigo a molhar os pés, o meu momento solene de toda a viagem, conhecer o Pacífico.
E por que é que o Oceano Pacífico é tão importante? para vos dar uma resposta completa teriam que mergulhar comigo no campo das Ciências Atmosféricas e Oceanográficas, mas, para abreviar, as nuvens que estudo desenvolvem-se sob o Pacífico Equatorial, daí este encontro ter sido tão importante, ter tido a oportunidade de molhar os pés, de sentir uma parte do Pacífico.

A tarde terminou connosco sentadas no "Coffee Bean", a beber um coffee .... tal como a Nicole Kidman em Bewitched ;) .

E Sabado à noite foi noite de Halloween e da Parade, em West Hollywood!
ADOREI e nunca tinha vivido nada igual! O melhor do Halloween é que todos levam a sério, principalmente os adultos, haviam máscaras ESPECTACULARES!! Tirámos centenas de fotos nessa noite, e eu andei sempre atrás do Darth Vader, a minha personagem preferida. Haviam vários no desfile, para meu grande contentamento! Vão lá ver as fotos para darem uma olhadela nos fatos.
A perninha está sempre para cima para mostrar as minhas meias laranja-fluorescente e ainda tenho a bandolete que piscava com luzes vermelhas!
Voltámos cansadas, mas felizes, que noite E-S-P-E-C-T-A-C-U-L-A-R!

Domingo de manhã foi dia de Hollywood! E da caça ao sinal.
Contámos com a ajuda da senhoria da Cat, que é muito divertida, e com a ajuda de um mapa (só nessa altura é que tomámos consciência de como LA é grande), lá fomos nós. Foi uma excitação quando o vimos pela 1ª vez ainda estavamos na autoestrada. Não se pode subir ao sinal, por protecção. Toda a colina onde o sinal está, está vedada ao público e é vigiada por helicópteros. Já ocorreram suicídios, pessoas que subiram as letras, que são enormes, e se atiraram de lá.
Perguntando, aqui e ali, lá chegámos a um local onde pudemos tirar umas fotos bem jeitosas do sinal.
Fomos deixadas em Hollywood, no bairro, na famosa rua do Kodak Theather, o cinema dos Óscares e a rua das estrelas no chão com os nomes dos actores.
E aqui vem a 2ª desilusão, a rua com as estrelas no chão não é nada daquilo que estamos a imaginar. O chão das ruas está sujo e as estrelas estão todas sujas e ao pé de lojas de produtos indianos que nada têm a ver com o "tema" da rua, o cinema. O panorama só começa a melhorar quando entramos no quarteirão dos Óscares, onde o chão está mais limpo, e as estrelas brilhantes.
Vimos o Darth Vader outra vez, estava a angariar soldados ;), e para tirarmos fotos com eles tínhamos que pagar. Fizémos um favor a nós próprias e nunca quisemos saber quanto era. :)
Aquela parte da rua começou a encher-se de turistas, estava bom tempo, mesmo para o final de Outubro, e nós rumamos a Stª Mónica para ver o pôr-do-Sol.
Ninguém pode sair de Stª Mónica sem ver este maravilhoso espectáculo da Natureza, ali na varandinha do Pacífico. Aquele laranja fogo enche-me a alma, não há explicação, só muito sentimento!

E última parte do Domingo: feijoada vegetariana cozinhada por nós, uma comida "atípica" de Portugal :), para o pessoal lá de casa. Entrada: um copinho de Vinho do Porto. Eu ia ficando logo arrumada porque não me lembro da última vez que bebi algo tão forte.
Foi TUDO comido. Elas adoraram! mesmo não tendo carne, ficou mesmo saborosa, e a couve era de cor escura, nem era a tradicional.

E como as viagens, para mim, não são viagens sem acontecer algo de muito peculiar (até me sentiria frustada), na 2fª de manhã, com o vôo às 10h, enganei-me logo na hora do vôo, mas felizmente adiantei-me e não o contrário, e o carro da minha boleia avariou-se, na caixa das mudanças, só metia a 1ª, a 10 km/h iria demorar. Chamar taxi a correr, e lá vou eu, sem antes passar por um engarrafamento daqueles que quase me desesperou! O taxista era Indiano e muito simpático, esteve sempre a acalmar-me, por uns momentos até me esqueci que estava "atrasada" (na verdade ainda tinha muito tempo!).
Chego ao aeroporto, corro para o check-in electrónico e em vez de imprimir o bilhete, imprimo o recibo da minha única mala de viagem. Engatei o sistema todo e teve que ser a assistente a socorrer-me. Mas ela enganou-se também e deu-me novo recibo em vez do bilhete de embarque.
A bela da vossa amiga vai escadaria acima para o raios-X ou scan e o sr. segurança pede o bilhete, ao ver o bilhete diz "isto é o recibo do pagamento da mala". Escadas abaixo outra vez, em direcção aos balcões, numa nervoseira que não lembra nem ao dia** :), buscar o bilhete. A srª assim que me viu, chamou-me logo e a rir disse que me tinha dado o recibo de pagamento. Resolvido.

A viagem de regresso lembro-me muito bem, por 2 razões:

1) fiquei à janela. Um viagem lindíssima, pela linha de costa e pelas "florestas" do estado de Oregon. A parte mais triste foi perceber que estavam a cortar árvores, enormes pedaços de solo nu, no meio de tanto arvoredo, imperceptível das estradas ou por quem está ao mesmo nível, a não ser de cima. Fiquei aterrorizada com este pensamento.

2) Tive 2 companheiras de viagem, viúvas, vindas de um cruzeiro no México. A do meio, tipicamente americana, contou-me a história toda, inclusive a viagem de cruzeiro e de como aquilo não é ambiente para solteiros. Vinham decepcionadas, não correu lá muito bem.
Portanto, solteiros que estejam a ler esta história (se conseguiram chegar até aqui, já me conquistaram!) pensem 2x antes de irem num cruzeiro deste tipo, os casados não perdoam!
A parte mais gira da viagem foi quando apanhámos alguma turbulência e a dita srª do meio ficou lívida de terror! e começou a dizer alto e bom som que eu sabia o que se passava porque estudava nuvens! LOL ai...... se arrependimento matasse.... :)

Chegámos todos são e salvos a Seattle, e trouxe o Sol comigo. Tirei o resto do dia.

E pela 1ª vez vou escrever: Espero um dia voltar a Stª Mónica. Gostei TANTO, TANTO!
Dias intensos, espectaculares, de tudo!

Um abraço forte por estes 4 dias de pura energia!

Uma Páscoa Feliz para todos!
:}**

1 comment:

Andreia Serra said...

Hi Su,
O brilho do sol e o constante ceu azul faz as tuas fotos lindas!!!
Pascoa Feliz para ti e para o teus.
bjs,
andreia