15 March, 2010

Criaturas de hábito - cont.

Este é a continuação do 1º, sobre o quanto somos criaturas de hábito. É impressionante!

Guardei o melhor para o fim, vou falar sobre alguns dos meus hábitos, os mais inocentes, claro, que não quero assustar ninguém, estou aqui a pensar em potenciais leitores masculinos que podem ser candidatos ao outro lado da minha cama de casal LOL !!!

Eu, Susana, confesso: tenho 'n' manias. E quando escrevo 'n', este valor é grande!
Se me puser a pensar sobe isto, vem imediatamente ao pensamento a casa limpa, pelo menos aspirada, a WC limpa, ou melhor limpíssima (fiquei um pouco traumatizada com o nível de limpeza dos americanos),  casa até pode estar por limpar, por aspirar, mas a WC é que não, há lá coisa melhor do que sentarmos o nosso rabinho numa sanita acabadinha de limpar? não há não senhor! :)
Mas manias relativas à casa são comuns a quase todas as mulheres e a já alguns homens.

Os hábitos pessoais, esses, é que realmente interessam, porque estão altamente enraízados. 
Vamos a eles:
  • Não me sento nem me deito com roupa da rua na cama. A cama é outro dos meus lugares I-M-A-C-U-L-A-D-O-S! nem roupa da rua, nem meias que andaram nos sapatos que foram à rua e por aí em diante. Em casa ando com roupa de "andar por casa", meias e pantufas (no Inverno). 

  • Sapatos da rua em casa também não. Ficam logo ali no hall de entrada, sossegadinhos. Vocês podem argumentar que é tudo a mesma coisa, mas não é, na minha cabeça não é. Eu já tinha esta ideia dos sapatos a cozinhar em lume brando, quando era mais nova chegava a casa e tirava logo os sapatos, embora não me recorde onde é que os colocava, mas quando fui para Copenhaga em 2002 e vi a colecção da sapatos à entrada das casas, e eles a andarem descalços ou com pantufas dentro de casa, identifiquei-me a 100% com esta atitude. Quando voltei, ajustei esse procedimento lá em casa e quis a Vida que eu fosse para os states, onde fazem exactamente a mesma coisa. Até que conheci os meus amigos Indianos que deixam os sapatos do lado de fora da porta da rua, o que me deixou espantada e com os pés bem frios quando os voltei a calçar, mas que não pude ajustar ao meu caso, pelo menos em Portugal, acordaria no outro dia de manhã sem os sapatos ;)
  • Chá! sou louca por chá, devo beber, em média, mais de 1,5l de chá/dia. Uma loucura! O chá está para o meu corpo como o ar está para os nossos pulmões. Até chá quente eu bebo no Verão, tem que ser quente, quentinho. Quando não o bebo sinto muita falta dele, tal como se sente falta de água quando se está com sede. É igual! Ando com a minha caneca (adoro canecas!!!) do chá para todo o lado, excepto quando saio, mas se páro em algum lado peço um chá. A última coisa que faço antes de me enfiar dentro da cama é beber 2 goles de chá quente, de ervas, aconchega-me a alma e relaxa-me; levo o meu chá para o banho, e tomo antes de entrar no banho e depois de sair do banho - isto levou a outra situação cómica cá em casa com a minha mãe a perguntar-me " é impressão minha ou tu até levas o chá para o banho?..... foi quando me apercebi.... :)"; fico rabugenta quando estou muitas horas sem beber chá quente, sinto que me falta algo e quando o bebo, é o momento solene, é TÃO BOOOOOOMM! ir a casa de outros e oferecerem-me chá é o melhor que me podem fazer, é o mesmo que me colocarem nas minhas 7 quintas. Só há um único senão: não gosto de beber sempre o mesmo chá. O chá verde, por incrível que pareça, ocupa dos últimos lugares da minha lista de preferidos, o chá verde puro. Nos primeiros lugares estão as infusões de folhas verdes, como a Hortelã e a Erva cidreira, só capaz de beber litros destas infusões, adoro o cheiro da Lúcia-lima verde, o de Jasmim e Alfazema também estão no topo, aliás  em Seattle a marca Choice Organic Teas tem um de Magnólia e outro de chá preto com Alfazema (ambos muito difícieis de encontrar nas prateleiras dos supermercados) que eram de chorar por mais, tenho muitas saudades destes, um dia destes ainda me arrisco a encomenda-los online. ;) Os de fruta, principalmente os mais ácidos, são aqueles que menos bebo ou quase não bebo, com a excepção deste, de ananás, que é uma Delícia! muito sublime, um colosso!
  • Outro hábito interessante são as viagens de carro, ou de comboio, ou de autocarro. Tenho que levar sempre o que comer, ou mordiscar. Eu sou daqueles indivíduos que, se me deixassem, passava o dia a mordiscar coisas, ou seja, a fazer snacks, comer de 2h em 2h pequenas quantidades. Naturalmente  não estou virada para comer refeições sempre à mesma hora e muita quantidade de uma vez, nunca me caiu bem e as minhas digestões são muito demoradas. Daí, cada vez que vou de viagem ter esta necessidade de levar água e biscoitos, ou barras de cereais ou mesmo fruta. Tenho é que levar qualquer coisa. Mesmo que seja para fazer uma viagem curta como Lisboa-Évora. Se for acompanhada, cabe ao co-piloto alimentar-me. LOL, porque, claro está... não posso tirar as mãos do volante, eu já sou distraída por natureza. Por isso, quando vou de viagem, os meus melhores momentos é ir a pesticar e deixar os meus olhos perderem-se na paisagem.
  • Lavo as mãos umas 20x/dia. No verão lavo bem mais. Se saio à rua, a 1ª coisa que faço mal entro em casa (depois de tirar os sapatos) é lavar as mãos.  O maior problema é no Inverno, que não hidrato tantas vezes as mãos quantas vezes as lavo, portanto sofro de mãos secas, o que quase levou ao desespero a senhora do Cartão de Cidadão, quando o fui tirar, naquela parte das impressões digitais. As minhas não apareciam! Tentámos mais de 10x e só se conseguiu quando eu coloquei muito daquele gel de limpeza de mãos.
Existem muitos mais, mas estes são assim aqueles mais enraízados e que mais saltam à vista de quem me observa e quando eu própria me observo.
Agora que estava a pensar nestes hábitos, também me lembrei que perdi uns tantos outros. Daqueles mais flagrantes que perdi foi o de usar relógio, já não uso, começou a ser quebrado quando fui para Seattle, e o do telemóvel, que uso mesmo muito pouco, a nao ser quando tenho que falar com alguém e esse é o único meio. Esqueço-me dele imensas vezes e 99% do tempo está no silêncio. Às vezes recorro a ele para ver as horas, mas muito de vez em quando. Agora que estou a escrever isto, estou a perguntar-me porquê, o que é que mudou na minha noção de tempo?
Eu era daquelas pessoas que via as horas de 5 em 5 minutos, e de repente....., deixou de ter 'aquela' importância.
Sem dúvida, os acontecimentos só têm a importância que nós lhes queremos dar.

E vocês? que manias enraízadas e que manias quebradas povoam a vossa vida do dia-a-dia? :)


Um beijo :}**

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